domingo, 26 de janeiro de 2014

Jorge Mendes «compra» André Gomes por 15 milhões de euros


O negócio não é o mais habitual no futebol mas está feito. O Benfica vendeu ontem, por 15 milhões de euros, os direitos económicos de André Gomes ao agente FIFA português Jorge Mendes que, agora, tratará de encontrar um clube estrangeiro para colocar, em princípio ainda neste mercado de janeiro, o jovem produto da formação das águias.

O Benfica, que até uma eventual transferência mantém obviamente os direitos desportivos do médio defensivo, acaba por conseguir, já, o encaixe financeiro do valor que exigia como mínimo para a venda de André Gomes, os referidos 15 milhões de euros, ao mesmo tempo que Jorge Mendes, que é empresário, entre outros, de Cristiano Ronaldo e de José Mourinho, fica com a perspetiva de eventual lucro, caso venda, agora, o futebolista por um valor superior ao de compra. Existe ainda a possibilidade, neste momento mais remota, de uma eventual transferência só acontecer no final da temporada... 

Ao que A BOLA apurou, não faltarão interessados na aquisição de André Gomes, entre eles o milionário inglês Manchester City, que há muito segue o jovem médio de 20 anos, natural de Grijó (Vila Nova de Gaia). Um interesse que vem de encontro às recentes declarações do presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira, que disse que o «mundo do futebol está muito atento aos jovens talentos do Benfica». 

André Gomes na mira do Liverpool

O Liverpool poderá apresentar uma proposta por André Gomes nas próximas horas. Segundo informações recolhidas em Inglaterra, o médio é um dos jogadores referenciados pelo técnico Brendan Rodgers que nos últimos meses tem observado e recolhido informações sobre o camisola 30 das águias. Conforme Record já noticiou, o empresário Jorge Mendes apresentou a Vieira uma oferta de 12 milhões de euros. O presidente das águias recusou-se a deixar o futebolista por menos de 15 milhões de euros, pois Jorge Jesus vê em André Gomes potencial para vingar na equipa principal do Benfica a curto prazo.

Jesus travou saída de João Cancelo e André Gomes

Jorge Jesus deu uma opinião negativa à saída de João Cancelo e André Gomes. O treinador acredita que os dois portugueses vão ser importantes no futuro da equipa e disso deu conta a Luís Filipe Vieira, quando foi confrontado com a possibilidade de ambos deixarem o clube já nesta reabertura de mercado.

«O André Gomes fez 18 jogos na equipa na época passada»


O treinador do Benfica, Jorge Jesus, em declarações após a vitória sobre o Gil Vicente na Taça da Liga por 1-0, num dia e que o técnico optou por uma equipa com muitas alterações e jogadores da formação:

«Não queria individualizar. Fala-se em mais oportunidades para o André Gomes, mas o André fez 18 jogos na primeira equipa na época passada, a maioria na Liga Europa e Champions. Como treinador procuro potenciar todos os jogadores. Não me importa nacionalidade, a cor, a religião nem idade. A partir daqui, faço uma avaliação em relação ao potencial. Esta fornada de miúdos não aparece por acaso, é um trabalho bem feito pelos treinadores da formação. A alguns dá-se continuidade e eles correspondem. Há outros fatores fundamentais. É um percurso natural que também tive quando fui jogador.

«Não quero fazer comparações. O Benfica na época passada jogou com dois jogadores [jovens portugueses] na maior parte das provas. O André Almeida fez 34 jogos. Quando se fala em lançar jovens não se tem muita noção do que é tirar deles o potencial das exigências do Sporting e do FC Porto. Estamos a fazer com cuidado. Claro que é muito mais fácil jogar numa equipa que atravessa um bom momento. As coisas têm de ser feitas com cuidado. O Benfica tem jogadores jovens portugueses, mas o que importa é se são bons ou não.»

Benfica-Gil Vicente, 1-0 (destaques)


A figura: André Gomes

Não foi um jogão, mas foi um jogo a pedir minutos. André Gomes tem estado escondido nas segundas, ou terceiras, opções de Jorge Jesus depois de uma primeira época sénior prometedora, em 2012/13. Neste sábado, foi aquele que provavelmente reclamou de forma mais veemente minutos na equipa. Esteve em quase todos os lances de perigo. Começou com um remate de pé esquerdo para defesa de Adriano; voltou a mostrar-se numa combinação com Funes Mori e, na área, atirou ao lado; surgiu de novo em bolas paradas, com dois cantos diretos a leveram perigo à baliza do Gil Vicente. Isto resumindo a primeira parte. Ao longo do jogo, fez de Enzo Pérez e não terá os dentes tão cerrados como o argentino. Enzo é, porém, um futebolista feito, André Gomes ainda está a crescer. Ainda assim, o camisola 30 mostrou, na primeira vez a sério que o deixaram, que aquilo que mostrara na época passada continua intacto.

Benfica-Gil Vicente, 1-0 (crónica)


No dia em que recordou Eusébio e Fehér, o Benfica apresentou-se mais português do que nunca na temporada e com um rapaz de 20 anos a levantar o braço a dizer ao treinador que está presente. Num encontro em que nada havia em jogo em termos de qualificação, o futebol do Benfica passou em grande medida por aquilo que André Gomes foi fazendo ao longo dos minutos. Quando o camisola 30 teve a companhia da exibição de Ruben Amorim, as águias chegaram por fim a uma vantagem lógica, perante um Gil Vicente que quase nem percebia que era Paulo Lopes quem estava na baliza contrária. O Benfica terminou o jogo com duas estreias na equipa principal: a formação esteve em campo a viver a ilusão de vestir a camisola mais pesada do clube.

André Gomes, o dono da bola

Se não houvesse uma Lei Bosman, se o futebol recuasse anos, este talvez fosse um Benfica bem mais real do que aquilo que é. Jorge Jesus poupou os titulares e lançou segundas e terceiras escolhas para a linha da frente, numa partida com menor intensidade que na Liga, mas com estratégias de parte a parte a aproximarem o encontro de um jogo de campeonato. O Benfica estruturou-se em 4x4x2, o Gil Vicente no 4x3x3 do costume, com uma ideia de contenção e, provavelmente, a ensaiar o plano para o próximo confronto entre os dois clubes, esse sim com três pontos mais preciosos do que estes em disputa.

Assim, a primeira parte foi jogada consoante André Gomes quis. Ora mais rápida, ora mais lenta pelos pés do camisola 30. O Benfica teve pela frente um adversário organizado, com as linhas bem juntas a tirar espaço para se jogar. Ou seja, tinham de ser as águias a encontrar brechas. Ou a criá-las. Foi isso mesmo que André Gomes criou aos 18 minutos: espaço. Recebeu à entrada da área, tirou um adversário da frente e rematou de pé esquerdo. O lance não teve grande perigo, dessa vez Adriano encaixou, mas deu a ideia da partida. André Gomes percebeu que teria de ser a própria equipa a fazer pela vida, porque o Gil Vicente não estava muito disponível para facilitar.

A confirmação chegou três minutos mais tarde. André Gomes combinou com Funes Mori, recebeu do argentino na área e rematou ao lado. O Benfica começava a descobrir as tais falhas no Gil Vicente, os buracos por onde podia passar. Aos 28 minutos, encontrou outro, apenas para Vítor Vinha derrubar Funes Mori. O argentino foi para a marca de penálti, mas saiu de lá frustrado por Adriano, que defendeu. O primeiro tempo resume-se depois ao mesmo nome: André Gomes. Dois cantos diretos à baliza, a causarem sensação de golo, com o médio a assumir a maioria das bolas paradas: no fundo, o dono da bola era ele.

O público a aplaudir os miúdos

Enquanto a primeira parte terminava com os adeptos a entoarem cânticos por Eusébio e Fehér, a segunda não trazia novidades a nível de equipas. Vinham os mesmos 22, mas com Ruben Amorim a subir de produção. O efeito foi imediato: o Benfica foi mais perigoso, foi mais rápido sobre a bola e o Gil Vicente meteu-se em aflições maiores. 

O primeiro lance exmplifica tudo isto: Amorim pressiona um central, com Djuricic ao lado. A bola bate no português, chega ao sérvio que é travado em falta. Ruben Amorim ainda marcou, mas o juiz, que tinha dado lei da vantagem, assinalou fora de jogo ao português. Foi apenas o adiar do golo encarnado. Que chegou seis minutos mais tarde.

Num lançamento de Ruben Amorim para Ivan Cavaleiro, foi André Almeida quem cruzou. Funes Mori atirou à trave, mas Sulejmani acabou por marcar e dar o triunfo aos encarnados. Isso saber-se-ia mais tarde, claro, até porque o golo do sérvio esteve muito perto de ser apenas e só o primeiro da conta dos encarnados.

Enquanto André Gomes andava a pautar jogo no miolo, Jorge Jesus aproveitou para lançar três rapazes de quem se ouve falar muito na B dos encarnados: Bernardo Silva, Hélder Costa e João Cancelo. Foi a injeção que faltava porque o público quis vê-los em ação na primeira equipa, porque entoou de imediato o nome de todos eles e porque eles causaram situações várias para que as contas do jogo fossem maiores. 

Não foram, é certo, mas num dia em que houve muita gente da formação encarnada em campo, até do lado gilista, ficou por aqui alguns lampejos do que ela pode fazer. Talento há e isso é meio caminho andado. O outro meio terá de ser feito pelos próprios rapazes, ajudados pelo treinador. 

Destaques: Ruben Amorim e André Gomes encheram o campo

André Gomes  Pautou o seu jogo pela qualidade do passe. Dinamizou o sector intermédio e soube sempre sair a jogar com a bola dominada, não dando grandes oportunidades ao adversário para progredir pela zona central do terreno.